20/05/2015

Laranja Mecânica

                         

Ainda posso lembrar a impressão que tive quando assisti Laranja mecânica, foi uma única vez, apesar da genialidade da proposta,  foi o que bastou. Lembro como foi desagradável do começo ao fim e ao mesmo tempo como era inacreditável que alguém pudesse roteirizar cenas de violência e sexo de maneira tão verossímil e  desagradável.

O filme sem dúvida provocou os chamados “espantos filosóficos” e com ele muitos reflexões, sobre a contemporaneidade.

Sem dúvida o personagem do Alex protagonista que passa de vilão a anti herói daí para vilão novamente,primeiro por sua violência sádica e desmedida depois por servir de cobaia para um estado perverso então em fim o retorno para seu ponto de origem e caráter.
 
O filme é brilhante, possui uma linguagem própria que faz com que o expectador sinta um o mal estar esquizofrênico de uma civilização decadente. Faz um critica social violenta ao sistema como um todo. Denuncia a inercia contemporânea em suas mascaras e marcas mais profundas. 

Escrito e dirigido por Stanley Kubrick é uma adaptação do romance de Anthony Burges.

Alex virou ícone como símbolo de rebeldia e sintoma social, milhares de fãs tiravam fotos com aquele olhar invertido carismático e violento,relembrando subjetivamente  que a doçura pode ter seu avesso.

Como não lembrar os Drugres, assim que Alex chama sua gangue, um grupo de jovens delinquentes. A palavra é proveniente do idioma Nadsat, criado especialmente para o romance por Anthony Borges que era linguista e escritor, ele misturou palavras em inglês,russo e gírias.

O critica cultural fica clara em muitos momentos  um deles na  violenta  cena do Estupro quando Alex começa dançar e cantar  “Singin in the Rain” , o contraste do ato com a alegria plástica do personagem marcam de forma paradoxal o imaginário popular.

E a Leitaria? O bar onde os Drugres vão beber uma mistura de leite com drogas. Pode ter algo mais simbólico, para denunciar a contaminação social?

E o tratamento Ludovico? Tão perverso e absurdo quanto a deliquescência de Alex, atual no sentido de mostrar o fracasso de nossos sistemas carcerários, que nada mais fazem do que fundamentar e requintar a violência social .


Um filme difícil de ver, porem sem sombra de duvida traz muitas questões para debate.

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