23/01/2015

MATAR EM NOME DE DEUS É HOMICIDO DUPLAMENTE QUALIFICADO COM REQUINTE DE CRUELDADE.


Apesar de não apreciar esse tipo de humor, por questões ligadas a área de ciências humanas, não pude deixar de admirar a ultima capa  do jornal  ‘Charlie Hebdo’ Trazendo a Charge  com Maomé segurando cartaz ‘Eu sou Charlie’
Ela  me lembra muito, a ideia de Deus todo,tudo,  lembra também e sem sombra de dúvida o querido Spinoza (para ele tudo que existe é Deus)então apartir disso ,vejo uma proposta, para confrontar  a  estupidez : a brutalidade não esta na religião seja ela qual for, mas na cabeça doentia de uma minoria ,que a subverte em sua brutalidade egoísta e predatória e dela se apropria para matar.
A genialidade da capa nos da uma oportunidade de dizer aos extremistas assassinos que somos todos um e matar UM é matar TODOS e também a SI mesmo..GENIALLLLLLLL !!! se Deus é Charlie Hebdo ,podemos pensar que também ele é o terrorista
No mínimo , na falta de capacidade de interpretar,  a imagem ,ela em si fará seu próprio registro, não em quem é cego para matar, ou é cego para excluir,mas naqueles que ainda se formam e podem e tem a chance de se reeditar para uma vida e uma existência mais suave.
Como fica a vizinhança autogênica de axiologias tão diferentes? Essa é uma questão para o criador da Filosofia Clinica nosso querido Lucio Packter, mas é claramente obvio que ficará difícil de se sustentar se  não ocorrer pontos de convergência mais firmes, que possam caber em ambos os sistemas de valores e que não digam respeito a ação.
Quando a hipótese for equivoca, tragédias podem ir se reproduzindo sem nos dar tempo de aprender.
Para uma espécie que tem como sua principal característica a capacidade de cognitiva mais complexa e completa, não poder pensar e mostrar o que se pensa, é ,para muitos  a morte do ser, então não da pra aguentar isso  , não dá! 
É essa ao meu ver, a melhor de todas as guerras, ser calado por grotões equivocados com dificuldade de interpretação e singularidade negativa, é como se estivéssemos cavando uma cratera em direção ao sub solo da existência, densificando o nosso mundo.
Esse grupos  que habitam as catacumbas da evolução,fazem um grande estrago , a historia continua a nos mostrar, mas não representam nem o seu povo ,nem a sua religião,eles representam apenas sua LIMITIÇÃO, seu patamar evolutivo,sua ingerência humana.
Há algo de infantil  e ridículo em alguns  discursos redentores,quando se fica  buscando justificativas,para brutalidade e a covardia. Esses porquês servem apenas para uma meia dúzia de narizes, geralmente os mais entupidos.
Em uma  democracia , todas as pessoas tem o ou deveriam  ter o direito de se expressar, de dizer o que pensam, mesmo que isso não seja tão bonito e tão agradável,.
Penso que para um ateu ver adoração irascível , cultos de castração e assassinatos ,seja e é tão ou mais agressivo do que uma charge , no entanto isso não lhe  da o direito de tirar a vida de ninguém.
Usar Deus ,Maomé ou Algo  QUE O PARTA , é uma desculpa perversa típica de mentes limitadas,acorrentadas pela sua única e definitiva “verdade”.
No  filme "O Nome da Rosa" podemos relembrar o quanto poderoso e assustador  pode ser o riso e o humor atrelado a isso.
Acredito que nada tem valor maior que a vida, e a força da crença deveria ser subordinada a essa lei maior, assim como deveria ser mais construtora do que a descrença, e é,se for ver é.
Justificar isso, o assassinato, seria endossar a brutalidade. Nem um ser humano merece esses extremos, nem o de morrer nem o de matar , mas quanta vida sai da morte? Que absurdo  são  esses espantos ,que seres tão densos nos impõem?
Também entendo que o humor, até esse que desconstrói tem uma função estruturante intransferível, ele é um desfragmentador de extremos e absurdos ,sendo absurdo, se veste de espelho para dar ao outro a oportunidade de se ver num mundo que não é só o dele, propõe que ele conheça um NÃO EU ou seja o  OUTRO.
Essa coisa de dizermos que eles "pediram ou provocaram",não revela uma visão comprometida por uma inquisição medieval ,que ainda afogueia nossa visão de mundo?  A coisa da culpa , da expiação , a de que somos todos pecadores?
.Afff isso sim é uma praga! NINGUEM tem o direito de matar porque não gosta de um determinado tipo de humor, quem faz isso ta morto enquanto pessoa enquanto espécie. Nem existe, é uma roxa grotesca ainda em deformação ou  um tornado que termina  quando acaba o vento.
É intrigante pensar na coisa do irmão contra irmão, essa acho que é uma grande questão para o futuro,quem sabe trocar o pai celestial que na verdade é um padrasto adestrado pela vontade de poder humana para o pai espécie e vontade de vida, o grande propulsor?
Então,  que dele venha , depois de estarmos atentos ,uma evolução menos utópica, pirotécnica e densa. Que possamos olhar para esse pai de frente sem medo, reconhecer seu poder alienante, ama-lo com prudência e atenção sempre lembrando que sua historia é contada por homens e distorcida desde que seu conceito foi criado,
O que acho interessante é o seguinte, se formos para países de origem Muçulmanas, temos que nos comportar como as leis e os regimes deles, como nos  impõe,quando estes  vem para o nosso pais, temos que continuar nos comportando como estão nos impondo? É O HORROR!!
  O que é isso , que a psicanálise chama de perversão?Na filosofia clinica quando apenas o que eu penso ,acredito  existe, ignorando totalmente a diferença e o desejo doutro seria o extremo da inversão.
Talvez o mundo precise mais que possamos ir ao lugar do outro para poder entender melhor, praticar aquilo que a Filosofia Clinica  chama de recíproca de inversão.
Se na democracia da França a liberdade de expressão permite a sátira e o humor aos extremos é direito soberano dos seus cidadãos a expressão.
 A perversidade não tem religião,  partido político ou ideologia alem da mente do sujeito que  pega a cultura seja ela qual for e a deforma em sua realidade mental ,a torna densa , limitada e isso vale tanto pra quem satiriza quanto pra quem repudia.
Acho maravilhosa  a mistura de raças e credos, mas também acho que se eu vou para sua casa e decido fazer dela a minha casa ,não posso e nem devo expulsar seus valores e comportamentos porque eles não me agradam.
Tenho muitos caminhos a seguir, posso me retirar, posso ,pedir e explicar o quanto isso me ofende , posso tentar entender o que aquilo pode  ensinar e se mesmo assim não for possível um acordo,tenho que achar um meio de ignorar isso ou de mudar o endereço.       Matar? NÃO!
A negação do outro está por ai , assim como as perversidade estão , nos grupos, em pares,com solitários ,nas igrejas, nos partidos,nas famílias,na cultura e sempre pode se apropriar de um motivo que justifique suas barbáries
 A escolha  de respeitar irrestritamente uma religião ou qualquer coisa que seja me parece muito perigosa pois ela pode ser uma viseira,uma vez que seu olhar tenha sido abalado, na sua capacidade de discernimento, você pode se tornar cego de arbítrio.
Veja só que interessante, que esse “ respeito irrestrito” pode ser  justamente uma das variáveis  que dão poder a pessoas extremistas como Hitler e a esses assassinos. NEM uma crença ou pessoa ,pode ter esse poder ele é tremendamente insalubre a existência ,porque simplesmente a desconsidera.
Quando uma pessoa tenta se apropriar da verdade, muito pouco consegue alem de correntes.


Alba Regina Bonotto/Curitiba, Janeiro de 2015