20/10/2015

Estranhas Historias De Seres Normais

Em fim ja nas bancas nossa Antologia de contos fantásticos, produzido por alunos da Oficina de Literatura Andre Carneiro em Curitiba.
Tem um conto meu la  "o inferno da mente" que foi oficiando pelo próprio Andre e toda turma.
Se Alguém tiver interesse, tenho alguns exemplares por R$ 30,00 Bata passar um email para :
albaregina.bonotto@gmail.com



12/10/2015

Escuta Humanista

Essa coisa de não ter tempo para ouvir a dor de um coração aflito , não é, e espero que nunca seja uma fraqueza a me limitar o ser .

 Apesar de alguns pré juizos, meus valores são claros  repletos de humanidade. Sou toda ouvidos,coração e sensibilidade, também sou intuição,inspiração ,desfecho, razão, abstração,entendimento e direção ,tudo a serviço do que mais importa  para mim, o ser humano e sua humanidade.

Até onde isso vai mudar minha vida e o curso dela, não sei , o que sei é que no final todos nos encontraremos no mesmo lugar, com ou sem intolerancia. Com castelos ou barracos, todos a rumar para mesma casa eterna.

Ahh você é um cachorro? não importa , auau au au auu auuuuu , pronto ja liguei a escuta canês, vem
vem...

Alba Regina Bonotto
Outubro/2015
Limpando agendamentos toxicos.                            





25/09/2015

Epifania (é uma súbita sensação de entendimento ou compreensão da essência de algo)




Com a chegada da maturidade  e o nascimento da minha netinha, chegou também uma nova nota de amor pela vida.  Tão  silenciosa quanto poderosa. Um verdadeiro reset na alma.  Veio colocando os problemas no exato tamanho de sua realidade.   Tudo ficou pequeno e o sentido da coisas se refaz a cada descoberta a cada espanto a cada sorriso da doce Tetê . 

 Com ela estou vivendo doces momentos de epifania, me sentindo como a Clarice Lispector que inúmeras vezes redescobre as coisas e os acontecimentos mais simples como uma criança que se depara com algo pela primeira vez e vive o encantamento. da descoberta.
                  
A pequena  está  com 7 meses e a vovó está  a 4 meses sem fumar, depois de ter fumado mais de 30 anos.  Quando paro pra pensar,  tenho uma sensação estranha, afinal por muitos anos  acreditei que eu jamais conseguiria abondar este vício,mas consegui e a verdade é que sinto ter resgatado a pessoa que era originalmente antes do cigarro, antes de incorporar esse comportamento tabagista estou falando de tudo que fui antes dos 15 anos..  

Não posso me furtar de reconhecer que o desejo de eliminar este habito vinha de longa data, ha mais ou menos uns 4 anos. Assim fui tomando  medidas que achei possível nesse e em cada tempo , elas  dizem respeito a pequenas modificações. Depois de ver uma reportagem sobre os males do cigarro, descobri que a limpeza do pulmão ocorre no período da manhã e que este era o pior horário para inalar essa fumaça toxica. Diante disso não tive duvidas , exclui os cigarros matinais.

O próximo passo ,foi mudar para uma tipo de cigarro suave e reduzir  a nicotina pela metade, porem continuava fumando uma quantidade indevida. Nos últimos dois anos, sempre depois do Ano Novo eu reduzia para três cigarros dia, durante um mês, queria ficar mais tempo assim ,mas  logo o vicio voltava com tudo e eu passava a fumar 20 cigarros a cada 24 horas.Foi um longo caminho.

Agora estou reencontrado  com meu eu, isso é  maravilhoso,  redescubro uma nova força e a máxima "Eu posso" ecoa dentro de mim.Como consegui de fato? Penso que o Start foi com esse vovorecer, com ele fui buscar ajuda e a primeira e mais pratica foi química , usei o que ha de mais moderno no tratamento  anti tabagismo, período que durou  dois meses . 

Usei a medicação como apoio e quando senti que a dependência química a nicotina estava sob controle, fui diminuindo a dose . Em uma semana me livrei dos remédios. Agora estou bem e sinto no meu coração  que não  vou retroceder.                  

As vezes olho ali atrás  e tenho a sensação que aquela fumante compulsiva nunca fez parte de mim, um verdadeiro estranhamento, em outros momentos sinto que ela esta ali a espreita a espera de uma nova oportunidade que decididamente não permitirei que aconteça

É como se, o período que fui possuída pelo vício ,tenha revelado o  meu auto encarceramento existencial e agora uma força  maior toma posse da minha vontade e simplesmente resolve  me libertar, estou  deliberadamente sob a chancela da vontade de poder. 

As três primeiras semanas,  foram as mais difíceis, com instantes de ansiedade abruptos que se dissipam com a mesma velocidade do click de um isqueiro.Mas o mais incrível e que vale uma analise, eram os sonhos, tinha pesadelos terríveis, sempre que estava sendo roubada ou que um bandido estava querendo extirpa uma pedaço do meu corpo. 

É mole? Imagino que se deva exatamente a falta química da nicotina no corpo, o cérebro representa isso como algo ruim afinal esta viciado. Terrível , não?.
Felizmente a fase dos pesadelos passou, e com isso a bonança  interior começa a se avolumar e em meu intimo  a base da minha estrutura  de pensamento começa a encontrar paz.

Certa vez um psiquiatra falou que largar o cigarro em termos de comprometimento químico,emocional e comportamental era mais dificil do que largar a cocaína, apesar de nunca ter usado cocaína posso entender de onde vem essa afirmação,realmente os fatores que vedam essa dependência tabagista transcendem a coisa química.

Felizmente o momento certo aconteceu, ele esta inteiramente ligado a estrutura de pensamento aos valores, a afetividade a emoção,ao perdoar-se e ao permitir-se. Finalmente entendi que sou o que posso ser, que fiz tudo que fui capaz de fazer e que somos todos anjos em universo terrivelmente infinito e hostil a nossa pequena compreensão. Então que sejamos tudo que pudermos no tempo que pudermos.

14/08/2015

Vovórecendo

Parte I A Notícia    

Que incrível é a vida! Alguns dizem que agente encontra um saber pleno sobre ela quando nasce ou morre alguém da família.Em meu caso o abalo foi silencioso, andou o mais longe na introspecção das noites  onde me levava a múltiplas direções.Essa coisa de ler muito, estudar muito, pesquisar muito às vezes nos da a sensação de que estamos prontos ,mas ser Avó? Hummm não tinha a menor noção de como isso seria  até acontecer.

Pois cá estou, bobinha da Silva, como quase toda a Vovó que conheci. Sinto-me revigorada ,algo que nada tem haver com idade mas com disposição para a vida, paradoxal não?Primeiro vem a noticia, com ela um misto de espanto e duvida, Será MESMO? Chegou a hora?

É estranho, assim que a noticia se espalha,começa os parabéns, as brincadeiras, você passa ser vovó de todo mundo, não tem nem tempo de assimilar a ideia, chega a  ter uma sensação de sufocamento; parece que estão falando de outra pessoa, a ficha vai caindo aos poucos.

Você terá um novo papel existencial e nem foi consultada  , sua participação é extremamente ligada ao fato de ser a mãe de um dos envolvidos na produção do 
serzinho que está por chegar.

Comigo aconteceu assim. Fiquei em primeiro lugar preocupada com minha filha, em saber como ela estava como estaria com a gravidez e o parto, com seu companheiro e com o meio em seu entorno. 

Um alerta direcionado de mãe para filha, e uma determinação interna e instintiva que me dizia: “bem sou mãe, antes de ser avó e até o nascimento do bebe é como mãe que estarei atenta e vigilante”, e foi assim que aconteceu só me senti avó quando peguei aquela belezinha cabeluda pela primeira vez.

Até La, fui recebendo as emoções que tinham com tranquilidade e quando vi  estava reeditando toda  a minha historicidade maternal ,de uma forma totalmente natural e serena .

A medida que a barriga dela crescia, minhas lembranças de mãe voltavam como uma delicada cachoeira estruturante.

Lembrei-me da gravidez, das alegrias e tristezas que andaram com ela, lembrei-me do parto, da felicidade e do amor instantâneo que veio ao ver seu rostinho, tão lindo e familiar pela primeira vez.

Mas o melhor de tudo, foi constatar mais uma e definitiva vez, que  ela tinha outra historia e certamente não sofreria as mesmas dores, estava preparada ,uma adulta plena e senhora de si, nunca  estaria refém ou a mercê de nem uma perversão humana ou cultural .  Foi exatamente isso que me trouxe um sensação maravilhosa de dever cumprido.

Sei que o sentido de zelo e autopreservação não torna os filhos imunes às dores da vida, mas sei que enquanto puder estarei por perto como um continente para dar ancoragem e como uma guardiã, pronta para agir se for preciso.










20/05/2015

Laranja Mecânica

                         

Ainda posso lembrar a impressão que tive quando assisti Laranja mecânica, foi uma única vez, apesar da genialidade da proposta,  foi o que bastou. Lembro como foi desagradável do começo ao fim e ao mesmo tempo como era inacreditável que alguém pudesse roteirizar cenas de violência e sexo de maneira tão verossímil e  desagradável.

O filme sem dúvida provocou os chamados “espantos filosóficos” e com ele muitos reflexões, sobre a contemporaneidade.

Sem dúvida o personagem do Alex protagonista que passa de vilão a anti herói daí para vilão novamente,primeiro por sua violência sádica e desmedida depois por servir de cobaia para um estado perverso então em fim o retorno para seu ponto de origem e caráter.
 
O filme é brilhante, possui uma linguagem própria que faz com que o expectador sinta um o mal estar esquizofrênico de uma civilização decadente. Faz um critica social violenta ao sistema como um todo. Denuncia a inercia contemporânea em suas mascaras e marcas mais profundas. 

Escrito e dirigido por Stanley Kubrick é uma adaptação do romance de Anthony Burges.

Alex virou ícone como símbolo de rebeldia e sintoma social, milhares de fãs tiravam fotos com aquele olhar invertido carismático e violento,relembrando subjetivamente  que a doçura pode ter seu avesso.

Como não lembrar os Drugres, assim que Alex chama sua gangue, um grupo de jovens delinquentes. A palavra é proveniente do idioma Nadsat, criado especialmente para o romance por Anthony Borges que era linguista e escritor, ele misturou palavras em inglês,russo e gírias.

O critica cultural fica clara em muitos momentos  um deles na  violenta  cena do Estupro quando Alex começa dançar e cantar  “Singin in the Rain” , o contraste do ato com a alegria plástica do personagem marcam de forma paradoxal o imaginário popular.

E a Leitaria? O bar onde os Drugres vão beber uma mistura de leite com drogas. Pode ter algo mais simbólico, para denunciar a contaminação social?

E o tratamento Ludovico? Tão perverso e absurdo quanto a deliquescência de Alex, atual no sentido de mostrar o fracasso de nossos sistemas carcerários, que nada mais fazem do que fundamentar e requintar a violência social .


Um filme difícil de ver, porem sem sombra de duvida traz muitas questões para debate.

23/01/2015

MATAR EM NOME DE DEUS É HOMICIDO DUPLAMENTE QUALIFICADO COM REQUINTE DE CRUELDADE.


Apesar de não apreciar esse tipo de humor, por questões ligadas a área de ciências humanas, não pude deixar de admirar a ultima capa  do jornal  ‘Charlie Hebdo’ Trazendo a Charge  com Maomé segurando cartaz ‘Eu sou Charlie’
Ela  me lembra muito, a ideia de Deus todo,tudo,  lembra também e sem sombra de dúvida o querido Spinoza (para ele tudo que existe é Deus)então apartir disso ,vejo uma proposta, para confrontar  a  estupidez : a brutalidade não esta na religião seja ela qual for, mas na cabeça doentia de uma minoria ,que a subverte em sua brutalidade egoísta e predatória e dela se apropria para matar.
A genialidade da capa nos da uma oportunidade de dizer aos extremistas assassinos que somos todos um e matar UM é matar TODOS e também a SI mesmo..GENIALLLLLLLL !!! se Deus é Charlie Hebdo ,podemos pensar que também ele é o terrorista
No mínimo , na falta de capacidade de interpretar,  a imagem ,ela em si fará seu próprio registro, não em quem é cego para matar, ou é cego para excluir,mas naqueles que ainda se formam e podem e tem a chance de se reeditar para uma vida e uma existência mais suave.
Como fica a vizinhança autogênica de axiologias tão diferentes? Essa é uma questão para o criador da Filosofia Clinica nosso querido Lucio Packter, mas é claramente obvio que ficará difícil de se sustentar se  não ocorrer pontos de convergência mais firmes, que possam caber em ambos os sistemas de valores e que não digam respeito a ação.
Quando a hipótese for equivoca, tragédias podem ir se reproduzindo sem nos dar tempo de aprender.
Para uma espécie que tem como sua principal característica a capacidade de cognitiva mais complexa e completa, não poder pensar e mostrar o que se pensa, é ,para muitos  a morte do ser, então não da pra aguentar isso  , não dá! 
É essa ao meu ver, a melhor de todas as guerras, ser calado por grotões equivocados com dificuldade de interpretação e singularidade negativa, é como se estivéssemos cavando uma cratera em direção ao sub solo da existência, densificando o nosso mundo.
Esse grupos  que habitam as catacumbas da evolução,fazem um grande estrago , a historia continua a nos mostrar, mas não representam nem o seu povo ,nem a sua religião,eles representam apenas sua LIMITIÇÃO, seu patamar evolutivo,sua ingerência humana.
Há algo de infantil  e ridículo em alguns  discursos redentores,quando se fica  buscando justificativas,para brutalidade e a covardia. Esses porquês servem apenas para uma meia dúzia de narizes, geralmente os mais entupidos.
Em uma  democracia , todas as pessoas tem o ou deveriam  ter o direito de se expressar, de dizer o que pensam, mesmo que isso não seja tão bonito e tão agradável,.
Penso que para um ateu ver adoração irascível , cultos de castração e assassinatos ,seja e é tão ou mais agressivo do que uma charge , no entanto isso não lhe  da o direito de tirar a vida de ninguém.
Usar Deus ,Maomé ou Algo  QUE O PARTA , é uma desculpa perversa típica de mentes limitadas,acorrentadas pela sua única e definitiva “verdade”.
No  filme "O Nome da Rosa" podemos relembrar o quanto poderoso e assustador  pode ser o riso e o humor atrelado a isso.
Acredito que nada tem valor maior que a vida, e a força da crença deveria ser subordinada a essa lei maior, assim como deveria ser mais construtora do que a descrença, e é,se for ver é.
Justificar isso, o assassinato, seria endossar a brutalidade. Nem um ser humano merece esses extremos, nem o de morrer nem o de matar , mas quanta vida sai da morte? Que absurdo  são  esses espantos ,que seres tão densos nos impõem?
Também entendo que o humor, até esse que desconstrói tem uma função estruturante intransferível, ele é um desfragmentador de extremos e absurdos ,sendo absurdo, se veste de espelho para dar ao outro a oportunidade de se ver num mundo que não é só o dele, propõe que ele conheça um NÃO EU ou seja o  OUTRO.
Essa coisa de dizermos que eles "pediram ou provocaram",não revela uma visão comprometida por uma inquisição medieval ,que ainda afogueia nossa visão de mundo?  A coisa da culpa , da expiação , a de que somos todos pecadores?
.Afff isso sim é uma praga! NINGUEM tem o direito de matar porque não gosta de um determinado tipo de humor, quem faz isso ta morto enquanto pessoa enquanto espécie. Nem existe, é uma roxa grotesca ainda em deformação ou  um tornado que termina  quando acaba o vento.
É intrigante pensar na coisa do irmão contra irmão, essa acho que é uma grande questão para o futuro,quem sabe trocar o pai celestial que na verdade é um padrasto adestrado pela vontade de poder humana para o pai espécie e vontade de vida, o grande propulsor?
Então,  que dele venha , depois de estarmos atentos ,uma evolução menos utópica, pirotécnica e densa. Que possamos olhar para esse pai de frente sem medo, reconhecer seu poder alienante, ama-lo com prudência e atenção sempre lembrando que sua historia é contada por homens e distorcida desde que seu conceito foi criado,
O que acho interessante é o seguinte, se formos para países de origem Muçulmanas, temos que nos comportar como as leis e os regimes deles, como nos  impõe,quando estes  vem para o nosso pais, temos que continuar nos comportando como estão nos impondo? É O HORROR!!
  O que é isso , que a psicanálise chama de perversão?Na filosofia clinica quando apenas o que eu penso ,acredito  existe, ignorando totalmente a diferença e o desejo doutro seria o extremo da inversão.
Talvez o mundo precise mais que possamos ir ao lugar do outro para poder entender melhor, praticar aquilo que a Filosofia Clinica  chama de recíproca de inversão.
Se na democracia da França a liberdade de expressão permite a sátira e o humor aos extremos é direito soberano dos seus cidadãos a expressão.
 A perversidade não tem religião,  partido político ou ideologia alem da mente do sujeito que  pega a cultura seja ela qual for e a deforma em sua realidade mental ,a torna densa , limitada e isso vale tanto pra quem satiriza quanto pra quem repudia.
Acho maravilhosa  a mistura de raças e credos, mas também acho que se eu vou para sua casa e decido fazer dela a minha casa ,não posso e nem devo expulsar seus valores e comportamentos porque eles não me agradam.
Tenho muitos caminhos a seguir, posso me retirar, posso ,pedir e explicar o quanto isso me ofende , posso tentar entender o que aquilo pode  ensinar e se mesmo assim não for possível um acordo,tenho que achar um meio de ignorar isso ou de mudar o endereço.       Matar? NÃO!
A negação do outro está por ai , assim como as perversidade estão , nos grupos, em pares,com solitários ,nas igrejas, nos partidos,nas famílias,na cultura e sempre pode se apropriar de um motivo que justifique suas barbáries
 A escolha  de respeitar irrestritamente uma religião ou qualquer coisa que seja me parece muito perigosa pois ela pode ser uma viseira,uma vez que seu olhar tenha sido abalado, na sua capacidade de discernimento, você pode se tornar cego de arbítrio.
Veja só que interessante, que esse “ respeito irrestrito” pode ser  justamente uma das variáveis  que dão poder a pessoas extremistas como Hitler e a esses assassinos. NEM uma crença ou pessoa ,pode ter esse poder ele é tremendamente insalubre a existência ,porque simplesmente a desconsidera.
Quando uma pessoa tenta se apropriar da verdade, muito pouco consegue alem de correntes.


Alba Regina Bonotto/Curitiba, Janeiro de 2015