31/07/2013

Flores e mais Flores


Há em nosso tempo, uma urgência , quase uma obrigação, a de que temos que descobrir os porquês de tudo que fazemos ,desejamos e pensamos.  

Parece que o ser humano evoluiu muito neste movimento, mas isso tem uma contrapartida, porque a pergunta insistente e repetitiva, muitas vezes o faz girar em torno de si,  tal como um pneu roda na lama, fazendo buracos inertes, falta-lhe atrito e aderência.  

Há uma parte de nós, que precisa ficar desconhecida, para garantir que o movimento intelectivo aconteça livremente e para permanecer a salvo de nossas ideias preconcebidas, carregadas de prejuízos culturais.  

Desconhecida, se mantém como a coisa em si , e eu diria ainda como " a mais original das coisas de si" que habitam nossa mente. Entendo que é justamente esta zona neutra, este país desconhecido, que nos ajuda a criar novas rotas para vida.  

Enquanto alguém,  sai das sombras, abandonando seus fantasmas para ser, mais e mais o que é de fato, cria uma rota de seu mundo interior  para seu meio, dai também surgem possibilidades de atritar a realidade até que a aderência aconteça. Como pedra lascada , pode produzir instantes cheios de fagulhas que acendem seu primeiro motor  existencial e assim , começa a tração, criando interessantes movimentos em direção a superação de limites até então inconcebíveis.  

Recentemente um bom amigo, me alertou zeloso, alguma coisa  sobre o sujeito vender a ideia de uma coisa(  ainda não sei o que é essa coisa, talvez seja a fruta do conde) , mas entregar uma abobora,  o que achei muito engraçado , pois fiquei me perguntando, porque uma pessoa venderia A por B ? Não pode ser uma abobora que vira outra coisa as vezes?(tipo um recheio de tortei).

Será  que quando alguém aceita um convite nosso pra jantar, em nossa humilde casinha ,ficara decepcionada se você  servir um prato principal refogado com abobrinhas a dorê ,cobertas com uma deliciosa ricota e temperinhos verdes? 

Porque uma coisa tem que existir sem a outra, será mesmo que o problema é o que se esta vendendo? Mas e quem compra? O que comprou e o que se quer vender de fato ?  O que há de errado com aboboras? Para algumas pessoas pode ser uma grata surpresa, ainda mais as que são vegetarianas, alias ao que me diz respeito, tenho muito mais alegrias e tenacidades nas minhas "abobrices" do que nos movimentos mais requintados que minha mente possa produzir 

Talvez seja esta uma leitura  carregada de prejuízos, que não me dizem respeito, faz parte daquilo que o outro vê através de suas representações, algo de sua estética comportamental ou  até de suas utopias emocionais. 

Fica o convite, para uma grande experiência, a todos que estão ilhados na busca do porque de tudo que há em si : Que tal experimentar o desconhecer-se? Então mergulhar em um espelho com imagens desenhadas pelo olhar do outro? 

Uma nova referência surgira deste movimento, fria , incandescente ou seja lá o que for. Nela se poderá sentir sua tez , que ao tocar sua consciência,  reproduzira a  textura do próprio vidro que a reflete. 

Quando em meio ao deserto de certezas,  também descobrirá as representações cheias de limites que outro lhe impõem, perceberá que ele, apenas apreende de você, fragmentos que na maioria das vezes não existem fora da subjetividade  que o constitui  como sendo um não você, nesse instante la estará ele, revelado também, pela forma que representa você.

Há algo que  na verdade ,não foi vendido, mais certamente e  equivocadamente comparado. Isso posto chega-se facilmente aos aspecto especulativo das ideias e conceitos, que tentam universalizar o humano,material rico,um novo saber para as rotas singulares a seus desejos mais secretos.

Temos que considerar , o próprio observador, que por vezes se faz juiz e o redentor, sendo que ele mesmo é humano, falível e limitado. Quando o descubro nestes limites , é justamente sua nudez que me traz empatia e compaixão afinal tem abóboras ali também. 

Ser uma coisa e ser outras muitas, também é algo do humano. Desconheço pessoas que não tenham estas convergências em algum momento, basta um olhar menos carregado de paixões se poderá ver, que estão muitas vezes , a serviço da sobrevivência e integridade daquela malha intelectiva, são competências de uma existência. 

Nem mesmo os mais castos ,que buscam libertar a singularidade escapam disso.  Na sala de estar, podemos receber muitas pessoas, mas poucas têm condições de adentrar em sua moradia interior, ainda mais se existir muita beleza por lá, tem pessoas que simplesmente não suportam a luz nem mesmo descobrir as diferenças entre o seu eu e o eu do outro.  

Mais difícil ainda, é que transitem sem desejos de posses por coisas que não podem carregar, a maioria acha que o  seu deslumbre basta para carregar o mundo.  

Mas é preciso, no sentido de precisão mesmo, notarmos que as flores, todas elas , por serem lindas e provocarem muita inspiração , encantamento e por produzirem os mais deliciosos perfumes,aguçam nosso desejo de captura. Quem nunca desejou colher uma flor? Mas o lugar delas é estar a onde estão, também é assim para as abóboras, apesar de muitos acharem que  elas só existem para  alimentar.  

Analogamente, como seria isso  para as princesas? Ha algum lugar melhor para que existam  do que nos contos de fadas?Não são eles uma coisa que na verdade são muitas outras? Não esqueçamos que as distorções também são protagonistas dos mais belos sonhos .

17/07/2013

Star Trek 2

Assisti o Star Trek 2 , achei bom demais, efeitos na medida , humanidade  e uma turma nova, charmosa com personagens complexos e cheios de personalidade. Minha paixão vai para o novo e imortal Spock , como sempre contendo suas emoções e lindamente buscando o equilíbrio das decisões como se diz na Filosofia Clinica , por epistemologias,esquemas resolutivos , axiologias (valores)argumentações derivadas , dados , estatísticas. 

Sempre tive pra mim, que o Spock era amais distante e mais frio porque todos no planeta dele eram assim, então ele seria sujeito da cultura do seu planeta de origem e até mesmo da sua especie, sabe, um quase robô emocionalmente, mas neste episódios ele mostrou, que este comportamento surge de uma escolha , um padrão comportamental para não sofrer o efeito trágico das perdas , de  dores ante algumas mazelas da vida , mas vemos que no entanto, ao final ,na hora H , acaba por revelar que essa técnica nunca funcionou muito bem.

Adorei ver o Spock, jovem vigoroso e o que é melhor, de namorada,uma verdadeira gata morena,super ligada e sensível , e na hora da ação então?  Ele corre que nem loco para depois entrar na maior luta corpo a corpo com o super mega e intrigante vilão Harrison (Benedict Cumberbatch), muito bem interpretado, faz um ser primitivo, super futurista para nossos padrões de conhecimento tecnológico,que nada mais queria alem de salvar seus tripulantes e dominar o mundo. Pra quem gosta do gênero é imperdível!!


                              

16/07/2013

Santa Gula



Ninguém comenta sobre isso mas conheço pessoas que tem envolvimento erótico pelo puro,casto e divino, não posso imaginar coisa mais sacana.  Você concebe um sujeito tendo uma ereção por associar a imagem da companheira com a de uma santa?  

 Bem , se existe a santa gula , ela tem muitas caras e dentro de alguma logica , é esta entre muitas, uma forma ou uma "sacanagem" que pode atingir o proposito de fomentar por idealização o desejo, mesmo que por vias estranhas, dai não cabe fazermos juízos de valor,  o problema é quando uma das pessoas em questão, incorpora o negocio e fica sujeita e refém ao fantástico,  as máscaras idealizadas que o outro lhe impõe, ao criar  realidades paralelas, ou seja , percebe aos poucos, que ser real aos olhos do companheiro é ser insipida ,inodora e incolor e até mesmo invisível, alguém sem graça sem capacidade de lhe despertar o desejo . 

Quando  ambos entendem acordam e assinam  esse mundo de fantasias como ideal,não ha problema . mas nem sempre é assim,  ha que se rever tudo isso quando a pessoa  bate em sua porta, toda machucada ,com hematomas que não são visíveis, mas uma dor emocional sem origem especifica  a levam intuitivamente  em busca de ajuda, afinal entre o que ela é e o que ela deseja ser, ha uma entre muitas realidades, a da cópula  pode ser a mais relevante e a mais submersa e esta sem duvida é o resultado de muitas outras variáveis a serem investigadas.

Vale pensar, na questão da posse, pois se por um lado, a cultura favoreceu até aqui as uniões sagradas em matrimonio, a realidade social da contemporaneidade não da espaço para relacionamentos míticos e irreais .          Haja terapia para quem é sugado para vida real e chamado para comparecer existencialmente, ou seja , a nova ordem é para que as pessoas existam e se movimentem numa consciência do presente e que ela use o máximo de extensões do eu em cada minutos a internet tem ajudado muito neste proposito. 

Não é incomum  
 à estas mulheres,  ao se manterem " santificadas", para a baba de seus parceiros, que desenvolvam com o passar do tempo, algumas doenças graves justamente nos lugares que mais tem que ignorar a sua natureza corporal.  Você pode se perguntar, se isso ainda existe? Existe sim, e muito mais do que se imagina, principalmente no nosso pais com essa cultura vinda das catedrais e oratórios.

A humanidade esta em evolução, por mais que seja lenta ela  suporta relações mais sutis e suaves, sem tanto juízo ou julgo interpessoal e sem tanta fatalidade em relação ao certo errado, porque muito alem de tudo isso, são as relações possíveis que prevalecem.

Claro que a singularidade, tem que sempre ser levada em consideração, mas não da pra ignorar os códigos de valores comuns que fundaram nossa geração, mesmo quando andamos as avessas ainda estamos a serviço deles, mas a noticia boa, é que quando alguns de nós, se ocupam em elaborar essas idiossincrasias, nesse movimento, acabam por permitir mesmo que rapidamente, para a nova geração, outras possibilidades que não impliquem tantas distorções,pois que a liberdade sexual ja é uma realidade,a cultura  não tem tanto temor ao poder que o sexo tem e não precisa deformar tanto a formação da libido infantil . Então a nova questão existencial da contemporaneidade não passa tanto pela conquista da liberdade como foi para geração anterior, mas sim é conquista da felicidade que importa e tem mais relevância.


 Em uma palestras sobre a "fragilidade, entre amor e sexo" o psicanalista Flavio Gikovate, diz,ao responder uma das perguntas, que se "abram as portas para o futuro", para que possamos ter relações mais reais, que aconteçam antes de mais nada entre amigos, entre pessoas parecidas e menos a serviço da cegueira da natureza, que não parece se importar com a qualidade e sim com a rápida chegada a seu alvo procriativo. Serão relações repletas de humanidade, que reconhecerão o outro nele mesmo e separado da zona de possessão, e nele mesmo, sera feita a dança mais rica do amor ,sobre, entre e com o desejo.  

Ha muita fragilidade ainda nesta fronteira tautológica, entre o amor e o sexo, talvez ela não exista de fato, mas se existir, pode estar muito mais ligada a distorções na direção das pulsões, aos limites físicos e emocionais, incutida por uma cultura que ainda não sabe que ja morreu, e nada mais faz do que andar fantasmagórica na mente do humano, sujeito de sua historia ,sujeito das tatuagens culturais, surgidas antes mesmo que ele possa fazer qualquer escolha.

drogadicção e o  abuso de álcool também passam por uma tentativa desastrosa de amortecer a força fragmentaria deste torpor, causado pela velha escola existencial,  que não leva em consideração aspectos básicos que se situam entre a vontade e a possibilidade, a velha navalha que separa o corpo do coração, que quer distinguir entre a inspiração e o ato, que se cega para coisa toda, como extensão da própria possibilidade de existir. 

Espero que esta dualidade um dia, mesmo que tardiamente, seja vista como primitivismo emocional em função da chibata moral  e que o ser humano possa se saber em seu todo, que possa lidar mais com seus limites, seus opostos, suas contradições e ter mais coerência com aquilo que compõe seu todo existencial . 
                                              

           Por Alba Regina Bonotto.