22/07/2010

Apagador

Tem dias que da uma vontade de usar o apagador em alguns quadros da vida . Andei vendo, uma palestra sobre filosofia clínica e um comentário do Lucio Packter ficou ecoando na minha mente. "Há pessoas que vivem uma vida inteira que não é delas, com repertório que não foi escrito por elas". As circunstâncias têm tamanho poder de movimentar nossa existência, que fico pensando, quando eu comecei a pegar o giz?

Turma da faculdade 1994



Lembrei-me da época da faculdade quando saiamos empolgadas das aulas de Metapsicologia, era muito fascinante de uma complexidade embriagante, então ficávamos brincando e fazendo piadas sobre as tópicas associando-as a bobagens (- Então com esta coisa de eficiência do recalcamento nos tornamos recalcados? - Quer dizer que inevitavelmente todos precisam destas demandas recalcadas para existir? T u se sabias recalcada , sua recalcada? - Sabia que o gostosão que senta no teu lado nas aulas de anatomia precisa de umas recalcamento imediato? - Teu cérebro foi tamponado antes que tu pudesses pensar e o máximo que tu pode fazer e enfiar o dedo no nariz! - Sofre! Sofre,para disfarçar que tu és normal.) riamos muito destas carcaturas, vivíamos nos analisando e nos deleitando em "atos falhos", poucas de nós conseguiam transcender a teoria e se divertir com ela, esta atitude nos garantia um entendimento mais amplo e notas máximas. Nessa época pegávamos o giz e fazíamos a elaboração com ele. Nas aulas de Filosofia eu era chamada de “A tradutora", às vezes o professor me chamava "Alba, por favor, me traduza!”. Engraçado que sempre eu conseguia.Era tão livre para errar,que fazia muitos acertos, a experiência foi garantido um belo "você pode". Eu podia mesmo, tinha permissão da irreverência.




Mas a motivação com a Metapsicologia não era maior do que o fascínio que tínhamos com as aulas de Psicofisiologia. Chegávamos a comentar baixinho e só para nós “um dia a psicologia vai submergir na fisiologia e a neurociência vai psicotizar nossos fundamentos".



Somos tão complexos que é difícil saber quando somos comandados por princípios primeiros e naturais e quando somos comandados por respostas emocionais mais elaboradas. Tantos sãos os fatores que nos inferem a vida que é aconselhável não sentarmos em certezas.



Quando cada uma de nós se apropriou do quadro verde da vida?



Somos influenciados por tantas coisas, primeiro pelas sensações e pela necessidade de ser suportados nos braços de quem nos provem a existência, depois passamos a ser reféns da cultura que nos ensina a conter nossos impulsos  em troca de não sermos vitimas dos impulsos primitivos dos outros. Dai com sorte, vamos nos qualificando e enchendo de recursos para negociar com nossas demandas nossos desejos mais genuínos, quanto mais negociadores e proativos mais próximos da coisa em si que não conseguimos nominar, mas que fica pulsando e propulsionando nossos movimentos ascendentes.Então o tempo vai nos alviando com a ética da existência possivel.


Lembro que pedíamos uma cerveja e ficávamos a viajar nas teorias, primeiro comentávamos sobre os professores, elogios que os levavam as nuvens e criticas que os soterravam em infernos  Dantescos. Depois brincávamos procurando pulgas metafóricas nas nossas orelhas, e riamos muito. Ainda posso lembrar a minha amiga dizendo “ai Alba eu só não rio mais porque fico com medo de me esquecer de te dizer que tu ta rindo muito alto" - hahahahha minha linda amiga, que saudade de rir todos os dias e bem alto.



Íamos eu e ela para a parada de Ônibus e ficávamos vendo nossas amigas mais ricas passando de carro, dávamos um sorriso amarelo nos abraçávamos: "como é bom ficar aqui nesta parada vendo estas nuvens e tentando identificar imagens, será que quando tivermos nossos carros vamos olhar pras nuvens?" -"Sim, Certamente, quando eles estiveram pagos vamos fabricar as bichinhas"



Não sei quando parei de ficar me analisando, não havia percebido isso, resolvi me deixar em paz faz um bom tempo, fico pensando se devia pegar no meu pé de novo, é que às vezes ele incha.



A verdade que estou com um apagador na mão e um Giz na outra.

08/07/2010

Goleiro Bruno e o Delirio Compartilhado

Algumas coisas entram na cabeça da gente sem pedir licença e temos que lidar com o ESPANTO, diante da estupidez humana. O Caso do Goleiro Bruno é um destes episódios que não tem pé nem cabeça. Algumas pessoas  perguntaram-me sobre o que eu pensava a respeito. Numa analise pratica e rapida posso verificar no minimo três Hipóteses claras.

1- Delírio de Prejuízo - Paranóia
2 - Delírio de prejuizo com seguidores Com delírio de Fidelidade- Simbiose
3-  Efeito Dominó
4- Burrice , idiotice e estupidez cronica e compartilhada.

No Primeiro caso o Delírio de Prejuízo, estaria ligado a uma fenda narcisica calcificada na estrutura da mente.
É o tipo bruto muito bem apelidado de "concretão" o concretão é o que não consegue ver alem , só visualiza o aqui e o agora e o efeito fisiológico o domina. É o cara que diz sempre -" eu sou assim e não vou mudar ", ou o que diz " comigo isso nunca vai acontecer " se você fizer uma critica metafórica do tipo "Você precisa se enxergar" ele vai correndo pro espelho. Este sujeito vive com a ideia de estar sendo extorquido de alguma forma , pois que estruturalmente é inacabado. A mente quer destruir, usufruir, cuspir mas ele desloca este arsenal mental delegando ao outro uma perseguição interna não ditada por sua autoria a fantasia é de que é o outro quem o perseguidor: "Ela quer me Ferrar" "Ela quer me usar" " Ela me persegue" " Ela armou pra mim" -o EU narcisico não tem responsabilidade de nada, tudo esta no outro, dentro desta concepção neurótica o  EU convicto só pensa em se defender, se defende atacando e atacando ta satisfazendo o principio gerador a paranoia, que conseguiu seu feito por distorção eficiente.
 Aconteceu! transou!engravidou! matou!tripudiou! Sentenciou sua própria vida para se libertar da paranoia o outro neste caso não passa de um objeto que deve ser quebrado .

No segundo caso o delírio é compartilhado tem seguidores devotados, funcionam como mentes fusionadas , o prejuízo de um é  igual o prejuízo do outro, o  "Não eu"  não existe.Todos os envolvidos sentem-se como se estivessem sofrendo a mesma perseguição , todos se sentem narcisicamente como sendo o Bruno e assim acabam assumindo partes da personalidade deste que o mesmo não assume, nestas  executam geralmente as tarefas mais baixas.

No terceiro Caso, está ligado lei da causa e efeito, uma ação que leva a uma reação que leva a uma consequência. Discutiu - bateu- Imagina a repercurção o efeito social - acha mais fácil eliminar o Problema- (aqui o Concretão também entra).

O ultimo caso esta presente em todos os outros,trata-se da junção de um grupo de mentes limítrofes que tem uma super concentração de imbecilidade, e nisso se vê apoiada a tomar o Lugar de donos da vida.


Algumas pessoas acreditam que  um cara destes , só faria algo assim por ignorância,  ganham muito dinheiro como atletas porem não tem cabeça para lidar com os problemas que o dinheiro traz, um deles seria o assedio.

Besteira !! está cheio de gente simples , sem estudo  até mesmo de atletas que são milionários e broncos que não saem por ai matando, ao contrário a maioria deles vai assumindo os filhos de suas imprudências. Então ignorância, falta de estudo, ingenuidade esta fora de questão , se assim fosse o mundo já teria acabado.

A Ruptura com os sensores que delimitam a possibilidade de existência, a falta de vinculação emocional é o que predomina, o narcisismo deformado a favela interior é que comete crimes assim tão bárbaros.

02/07/2010

Carlos Pergunta para Alba – na Comunidades Ateus em Curitiba


Você considera a possibilidade de estar errada como atéia? Deus existe, mas não é a concepção que as religiões pregam...


- Carlos querido, que bom que voltou pra comunidade. Vou tentar ser sucinta o que é quase impossível,pois o tema merece toda a abrangência que a  sua complexidade propõe.
- Minha resposta é Não, racionalmente nem por um instante considero que possa estar errada, até os dias de hoje Deus só existe como conceito e ato cognitivo, por isso têm tantos nomes, por isso tanta diversidade de preceitos, dai tantas divindades.

Somos mentais, essencialmente criativos e não dominamos completamente nossa mente, essa falta de controle deve contribuir profundamente no cunho emocional das concepções religiosas,neurológicamente e também narcisicamente tendemos a não suportar espaços vazios e a nossa própria fisiologia existe para vida , a certeza da morte agride ostensivamente esta fisiologia,mesmo que fisicamente sejamos decadentes desde que nascemos.

Imagino que o fato, de tantos Ateus diretores de cinema, artistas, cientistas e filósofos, esteja relacionado à capacidade criativa direcionada a produzir ilusões, esta competência profissional talvez forneça mais força, mais recurso, mais estrutura psíquica para consolidar esta escolha.  Veja que mesmo nesta comunidade, todos são dotados de uma inteligência cognitiva singular e isto funciona como uma vitamina contra crendices.
                                   

2) Como você entende e lida com a morte de alguém próximo (filha, mãe, pai, irmão, marido) ?

Como humana, não posso descartar a possibilidade de diante dum evento extremo, como os que você mencionou,de estar sujeita a alguns momentos de fragilidade incomum e eventual e assim ser acometida pela chamada “fé de desespero”.

Penso que para abrandar uma química psíquica que faz com que seja insuportável o sentimento de dor e por uma reação fisiológica a mente funcione independente e automata, aquém das constatações óbvias da racionalidade. No intuito de não permitir a desintegração psíquica, um mecanismo de escape  catalisa as ilusões e estas partem em busca de subsídios para encontrar amparo, o lugar mais comum estaria nas providencias culturais e religiosas plantadas em nossa memória em nossos primórdios, comuns até na criação de pensamentos delirantes, que serviria como um atenuante instintivo para a impotência diante de situações radicais ou que remetam o pensamento a um torpor ante situações de medo e angustia.

Vale uma analogia: pessoas que tiveram experiência no deserto diante da falta tão vital de água são acometidas por delírios. A mente começa a produzir ilusões de “oásis’ próximos, o que faria com que a pessoa continuasse a caminhar em busca de água, ou se apagar sem implosão, neste caso se trata de um funcionamento para provocar reações também de auto defesa pulsional. Também acredito que o mesmo principio que rege nossa fisiologia rege nossas produções mentais. A meu ver é exatamente neste mecanismo que a crença em um ser superior se acomoda ela tem um fundo fisiológico e se sustenta psicologicamente, porque nossa espécie, parece em sua maioria absoluta ,ser possuidora de uma insustentabilidade estrutural em seu psiquismo. Com isso ouso a conjecturar que não é natural seremos ateus.

Penso que assim como brincávamos de - “faz de conta”- gostamos de ver filmes para nos distrair, de torcer fervorosamente por um time de futebol, de criar fantasias sexuais para tornar o sexo mais intenso e menos mecânico ou simplesmente por diversão, temos um mecanismo parecido diante de demandas psíquicas por demais opressoras. Por ai, poderíamos argüir que a idéia de Deus seria uma distração para a dor bem como também pode ser um lugar de auto-erotismo para masturbar a mente que não quer trabalhar ou não tem recursos cognitivos para abrir mão deste escape.

Eu tive quase todas estas experiências que mencionou, e todas elas fortificaram meu ateísmo. Tenho uma tendência a ser desconfiada e de não aceitar sentenças hipotéticas. Confio mais na duvida do que na certeza. Aprendi que a duvida move mais do que a certeza, acredito que enquanto minha mente for saudável funcionarei assim, mas se existir um Deus ele deve ser Panteista.