12/03/2010

HAMLET

                                                            HAMLET
Escrita Por William Shakespeare,                                             - Entre, 1600 a 1603    -

A medida que vamos mergulhando na obra, evidencia-se o criador na sua criatura, em muitos momentos ambos se debatendo pela supremacia da existência que extrapola a mediocridade humana e que propõe um olhar cético indagador. Este príncipe, atormentado pelo fantasma de um pai morto revelado ao interlocutor apenas como fantasma inescrupuloso  que perversamente  decide envolver o filho em  um ardil, de vingança moral. O dialogo sóbrio vai evidenciando os acontecimentos, nos induz a imaginar   o impacto decisivo de sua aparição na mente do Príncipe Hamlet .O que remete a primeira contradição imediata da obra: Um fantasma bizarro, que não desencarnou e se mantém preso a moralidade mortal uma vaide a-moral, que em sua sede, usa o filho como instrumento de vingança, colocando-o em risco de integridade física e emocional.
Um rei  Real ,que num olhar rapido mostra mais um pai simbólico, cuja existência se define por seus feitos de guerra e sua virilidade aguçada. Sua rainha Gertrudes, supostamente adultera, o Édem em forma de mulher, que lhe acende tal qual o fez com seu irmão traidor. Sobra-nos a visão de Hamlet refém desta guerra de egos  deformados e desditosos. Hamlet rapidamente constata na celebre frase - “ha algo de podre no reino da Dinamarca”, este algo  o impele a vingança, abalado  diante do enunciado fantasmagórico do possível assassinato , passa a morrer em cada movimento da peça.Deprimido, escandalizado com a nova situação materna que com menos de três meses de viuvez já corre pelo palácio numa alegria incontida atrás de Claudio seu novo esposo e irmão mais novo do rei morto. O jovem Príncipe  cuja inteligência e agudeza de raciocínio são evidentes em cada intervenção, não se entrega facilmente aos augúrios do fantasma, o questiona internamente e propõem um caminho para busca da verdade. O caminho se faz numa representação teatral onde os atores são dirigidos nada mais nada menos do que pelo príncipe da Dinamarca. Este é sem duvida um momento de êxtase onde Shakespeare nos da uma “MOSTRA de si mesmo” através do seu protagonista e torna Hamlet o escritor de seu próprio espetáculo, faz bem mais, o torna diretor, produtor e expectador fazendo da reação do publico a sentença definitiva, e, do teatro como um caminho a se encontrar a verdade. Não é de fato isso que devemos propor no palco? Não é exatamente uma “verdade” que se encontra de nós mesmos quando uma peça de teatro é feita para os espectadores? É bem isso que o nosso jovem príncipe, que talvez não seja tão jovem já que há contradições claras entre a idade do príncipe e as habilidades adquiridas no  seu tempo de vida. Poderíamos aferir que Hamlet, do inicio da peça é um vibrante rapaz, no centro da trama encontramos um adulto atormentado com as varias faces do poder do amor e da família, mas na evolução de seu olhar quase que delirante diante de uma verdade insuportável e com propósitos claros e irreversíveis Hamlet chega ao final da peça, como um sábio ancião que tudo percebe e que tudo spera. À medida que a saga de Hamlet se desenrola, conhecemos sua amada Ofélia, que é literalmente desconstruída por seu amado ao se deixar conduzir pela lei e o olhar do pai, cuja morte é protagonizada pelo primeiro engano do príncipe que o confunde com o rei, pois escondido o sorrateiro esta a escutar as conversas entre mãe e filho. A frieza com que Hamlet lida com este engodo trágico  torna-se a gota d’água para levar Ofélia já perdida entre o sim e o não do príncipe, a loucura e ao suicídio.
Hamlet sofre a deportação a traição de seus amigos, genialmente reverte o destino que lhe foi traçado por Claudio.  retorna depois de um longo tempo, então se depara como coveiro, personagem, a altura da genialidade do príncipe, que o acompanha para o principio da finitude e da realidade. O coveiro trás para Hamlet a possibilidade de se rever diante da caveira do querido York o bobo da corte que parece ter representado de fato a figura paterna afetiva ao o príncipe em sua infância. Após esta passagem de retorno e de ceticismo entre Hamlet e o coveiro, é que surge o príncipe tal qual se apresenta diante de Laertes, o irmão de Ofélia ofendido e instigado a vingança, contra Hamlet, “aqui estou eu, sou Hamlet o dinamarquês”.
Ao se jogar na cova e propor que o enterrem junto com Ofélia, Hamlet nos da à dica de que a vida já não lhe importa mais e que seus tesouros começavam a ser enterrados, o que nos facilita entender porque Hamlet príncipe da Dinamarca, aceita a cilada montada por Claudio, sem relutar, pois de fato não parece surpreso com a traição o veneno em seu cálice, e na espada que o fere envenenada.
Sua mãe morre em seu lugar, ao beber o vinho do filho Gertrudes toma o ultimo gole de irrealidade e nele reencontra o amor de seu filho. O final espetacular, grandiosamente montado para nos remeter infinitamente a reconstrução desta historia onde Hamlet "abre" através da fala, os portões da Dinamarca devolvendo ao filho do homem que seu pai o grande rei Hamlet havia matado, a possibilidade de resgatar o reino perdido. Se finda a contradição, e neste gesto Hamlet morre ,imortalizando o nosso olhar. A que se pensar que Hamlet morre discordando das conquistas do pai e nos fazendo pensar para sempre, nos paradoxos afetivos entre as famílias universais além disso Hamlet caminha para as ultimas conseqüências de uma existência mortal.
Auotora: Alba Regina Bonotto

02/03/2010

RENACIMENTO DO EU QUE EXISTE AI.

Particularmente não só acredito no que disse como tenho a mais precisa impressão desse abuso do catolicismo sobre a natureza humana e o reconheço dinâmico ainda nos dias atuais. O exemplo clássico: - 1-Um padre para o "ser" tem que "ser" assexuado e renegar sua natureza e lutar contra ela a vida toda até que morra ou pecar e se arrepender infinitamente - 2 O massacre pela interpretação satânica de inocentes na inquisição - 3 A proibição do acesso ao conhecimento não institucionalizado. - 4 O confisco e destruição e ou reedição modificadas de livros dos grandes pensadores - 5 O assassinato de todos que ousavam se rebelar - Estas imposições ao que o homem é capaz de descobrir, modificar e desejar, perfeitamente resulta em perversidades de toda natureza, desde maltratos com sigo no autoflagelo, até comportamentos de afetividade distorcida como pedofilia, esquizofrenia etc


Ao nos deparamos com acontecimentos históricos do fim da idade média, tais como a queda do Império Romano a descoberta das Américas, ascensão da burguesia , percebemos a  que direção a humanidade caminha.   Tais acontecimentos marcam o fim de uma era pautada na contemplação do Divino, de submissão e degeneração da personalidade humana. Em prol as leis doutrinárias,  o mundo dos homens é praticados por homens e não há como escapar por mais que se invente dogmas e teorias o verdadeiro Deus é o homem que cria, essa é verdadeira trindade, "o homem é quem faz, homem é quem muda e o homem é quem submete". A Grécia Antiga nos mostra um movimento que não se bastou em si,  no que se refere às respostas praticas e muito menos ao que se refere a respostas míticas. Porem foi um mundo de grandes pensadores, grandes filósofos grandes observações do homem na Natureza e da Natureza no homem. Por não se bastar e ter por conseqüência da liberdade de proliferar valores, crenças e atos diversos entre si, este mundo foi ruindo, não resolvia uma questão básica: a perenidade da existência, capacidade de defender-se dos eventos naturais e das guerras entre Cidades estados e da diluição dos valores ANTE a diversidade. Então vem a idade media, com uma instituição que se forma em nome de um ser superior e o usa para ser perene, porem também é ineficiente apesar de ser constante e progressiva. Este caminho, do catolicismo medieval "estuprando" o ser (o obrigando a se comportar de maneira diversa a sua natureza, renegando sua força suas capacidades de movimento, de criar, inventar, desvendar e desejar) pela obrigação a crença institucionalizada. Não teria durado tanto tempo sem a imposição da força. Neste dois pólos a paradoxalidade  da liberdade ineficiente versos o aprisionamento emocional institucionalizado. A que se observar, a natureza humana se move, mesmo que atolada em leis adversas a ela e entre traves . Em todos os cantos e tempos, temos seres humanos e estes evoluem
se direcionam para o futuro, seja para construir o conhecimento, seja para o ciclo da própria vida . A historia da filosofia nos mostra que nos sabemos capazes de crer em um ou em muitos Deusese , porem vivemos existindo e buscando a evolução deste existir através do bem pensar que vai abrindo portas no dia pratico das pessoas, com ajuda sempre muito eficaz do poder financeiro, que instiga o surgimento de novas classes capazes de ter autonomia para buscar novas soluções. Assim chegamos ao Renascimento.




. Não tenho duvida que a idade media teve um valor histórico de organizar e sistematizar comportamentos, criar um código geral em comunidade com grandes nomes a se dedicar na construção do mundo melhor, conseguiu manter por muito tempo a união de suas ovelhas .Mas a apropriação do saber para domesticar o homem, a apropriação de uma condição divina, não lhe parece imoral? Não serei eu uma reles estudante de filosofia que ira categorizar as coisas, , afinal temos inúmeros pensadores que debatem ainda com mais força, e claro com bons argumentos. “Veja Manoel Kant que desconstruiu o argumento Ontológico que define Deus como um personagem formulado cognitivamente, não-empírico”. Já Friedrich Nietzsche parte de outros princípios, de revolta literalmente, denuncia o Apostolo Paulo de Tarso em sua apropriação da idéia de Deus e a deturpação das sagradas escrituras, conforme interesses. Nietszche usa a famosa frase "o evangelho morreu na cruz" por que na visão do filosofo o evangelho se tornou não o que Deus queria, mas os que os homens dominantes de seu tempo queriam, chega a inferir que ideologicamente Jesus foi o único católico de verdade. Tenho minha convicção sobre estes assuntos, em bases psicológicas levando consideração os Princípios de Prazer, a teoria da libido os mecanismos inconscientes, a parte fisiológica do ego, a vida pulsional de nossa mente e de nosso corpo, reveladas por Freud na sua magnífica obra, também por discernimento lógico, afinal também necessito crer e mais ainda por base filosófica como mostrei acima. Psicologicamente sabemos da necessidade humana de acreditar e de dar fé aos criadores de ilusão e mitos, em busca de um conforto emocional que a estabilize e as direcionem.
O que não aceito é que se perverta coisa tão genuína essa necessidade em prol a manutenção de um sistema que já despencou, podemos ate supor que a mola propulsora dessa queda é força humana de ressurgir, pois -Ressurge Burguesa - Ressurge encontrando novas terras - Ressurge criando novas igrejas  - Ressurge Curiosa e ávida por respostas por avanços no que pode validar e preservar a espécie. No início dos tempos a instituição católica deu conta destas necessidades, mas se perverteu na administração das ilusões e na petulância, porque na verdade não podia matar todos seus seguidores nem todas as pessoas que começavam a enxergar suas falias, afinal seres humanos são o que são e existem aquém de suas religiões.
Todos estes pontos convergem para o Renascimento.

Quanto a discutir A frenagem que supostamente a igreja realizou na brutalidade da época, não posso concordar - Quem pode dizer que não teríamos evoluído muito mais, quem pode dizer que nesse tempo não teríamos nos tornados nós mesmos infinitamente melhores do que somos? E quanto os milhões de mortes?
Seria esta uma hipótese valida , ao meu ver no sentido de tentar descobrir por que o ser humano é seu próprio algoz.