10/12/2010

Filosofia Clinica presupostos basicos


A historicidade não deve ser abandonada, pode ser mais lenta porem é nela que será construída toda base de trabalho do Filosofo. A filosofia Clinica, busca o resgate histórico do ser humano, através de uma linha ascendente em sua historicidade pessoal. Dentro desta historicidade o sujeito vai se desvendando em sua relação com o mundo com suas categorias e sua potencias e seus limites. A historicidade pode ajudar a preencher lacunas ou aspectos ainda não preenchidos e editados de forma clara as estruturas de pensamento que referenciam como a pessoa concebe o mundo e dentro desta concepção ela o sente e esse processo pode estar distorcido por momentos inconclusos ou obscuros dentro da sua historicidade. Este movimento de ser e de se revelar diante do Filosofo Clinico propicia a pessoa, um ancoradouro, para trabalhos futuros bem com um apoio momentâneo e pulsionamento para seguir em direção a sua coerência entre ser, existir e agir de acordo com a realidade singular, que vai sendo revelada.Levando em consideração que a fala propõe , mas nem sempre reflete o todo , pois nem sempre é o aspecto verídico da historia que define a evolução dentro do processo, pois  a verdade é aquela que o sujeito pode transitar e o tempo que ele precisa para lidar com esta se assim o desejar. A ética da filosofia perpassa o respeito pela realidade e pelos graus de valores e potencias que cada pessoa atribui aos aspectos que compõe se manancial humano. Não ha proposta intervencionista com bases morais, não ha rótulos sobre prováveis patologias, o que se propões é que o sujeito possa existir dentro de sua realidade e se nesta realidade o mesmo precisar de um interdito social para ser protegido dele mesmo ou se o mesmo devido a questões orgânicas precisar de acompanhamento medico, que ele possa se utilizar destes recursos sem dano, ao que é com pessoa, com ser humano, com sua dignidade garantida pelo respeito em seus processos. Ha um movimento no sentindo de propiciar a pessoa, um encontro com sua própria capacidade existencial, bem como um olhar holístico sobre como ela se conduz no mundo para o mundo e com o mundo. A filosofia clinica entende não aplacar todas as dificuldades, abre para interdisciplinaridades,respeita os limites biológicos sociais culturais e emocionais que cada pessoa carrega consigo.O ser é visto como a medida das coisas em seu próprio mundo existencial.Um dos trabalhos do Filosofo Clínico seria conduzir a pessoa que teria ficado aprisionada em determinado momento nas sua evolução para a conclusão deste .O que a pessoa traz na sua bagagem alegórica reflete o mundo em que esta inserido sua racionalidade sua emoção suas percepções de tempo de movimento de possibilidades, conhecer de alguma forma esta bagagem requer tempo e dedicação.O s chavões sociais ignoram  realidades, do individuo  singular, em sua existência  ele mesmo pode estar inserido em um contexto de concepções genéricas ,distante de si mesmo,essa distancia as vezes a impossibilita de viver de uma forma mais serena.O Filosofo Clinico se depara com, dores profundas, com questões ligadas as mais diversas áreas da vida da pessoa, da família, de luto,solidão,debilidades e uma gama infinita de situacional idades que fazem o sujeito buscar ajuda, o foco inicial da pessoa geralmente é o assunto emergencial que será escutado desde o começo , porem o Filosofo não pode abicar da técnica a que se propõe a construção da historicidade

05/10/2010

Resenha do filme :Abelardo e Heloise


Na versão para o cinema desta historia, temos uma manifestação da força existencial, revelada pela certeza intuitiva e intelectual da personagem de Heloise. Nosso querido Abelardo parece fraco e não tem certeza do que sente (é justo afinal, sentir algo não universal, para quem quer resolver a questão dos universais? sua predisposição acadêmica pode revelar sua predisposição amorosa, eis o conflito incubando o existir do Filosofo), sente-se culpado por desejar tanto sua amada não entende que desejo é apenas o reflexo, o alimento de algo maior . Abelardo tem sua forma de amar empobrecida pelas duvidas dogmáticas. O pobre já era parcialmente castrado, quando fez o tal voto de castidade a que os mestres eram submetidos naqueles tempos, a castração  em seu falo literal apenas revela uma auto-castração tendenciosa e dogmática. Já Heloise, não conhecia e nem reconhecia a castração nela mesmo, ela acreditava na beleza do amor, sabia que o sexo entre eles era parte integrante de um amor não a parte determinante, ela em si não o tinha como culto comportamental . Sexo era apenas sexo, o olhar de Heloise não estava focado nisso. O sexo era natural puro e espontâneo. Ambos tinham fome um do outro. O sexo apenas os acalmava diante desta linguagem sintônica , perfeita, rara e atemporal de  comunicar através da mente que caminha sempre de encontro a patamares de felicidade plena. Revelada por inspirar e isso sim, era e sempre será gigantesco e imortal. A grande sacada do diretor a meu ver foi mostrar que o que liga a mente ao desejo do corpo não esta condicionado aos órgãos genitais. O desejo entre eles continua e o fato de nossa Linda Heloise aceitar viver do modo que aceitou nada tem a ver com estar sujeita a dogmas  pois era completa demais para isso. Foi uma maneira de respeitar um pouco do "potencia social do seu amado", e mantê-lo acreditando que podia cuidar dela ou seja foi uma forma de manter a virilidade emocional de Abelardo e por sua vez , manter-se viva neste amor.


Heloise consegue Transcender através do amor e nisso ela esta ao olhos de quem pode sentir, ver , perceber, intuir muito mais que revelada ela acontece no amor.Ela se torna ato vivo no amor.Enquanto que Abelardo é compositor da lamuria cristã daqueles tempos, a fé para ele passa a existir a partir da falta , da castração, da dor e principalmente da privação carnal. EM tudo isto percebemos a eficiência do castigo, da privação economia e da dignidade social na manutenção de adeptos fervorosos.


Nossa Linda Heloise não viveu de forma plena seu amor, primeiro porque um amor como este só pode ser pleno se não ameaçar a dignidade e a saúde do objeto deste amor, segundo porque Heloise era uma "passarinha" tanto na forma de construir seus pensamentos,  na forma de propor soluções como na forma de viver suas emoções. Porém , Abelardo já havia sido suficientemente castigado,haviam um filho a ser protegido do ódio da inveja e da mesquinharia. Em que lugar Heloise poderia ficar onde não ofendesse demais seus opressores, para que estes permitissem a ela ao filho e ao seu amado seguir vivendo? É difícil de imaginar, naqueles tempos o "lugar das Heloises" estava predestinado a uma pilha de lenha .
Imagino que esta escolha de ficar no mosteiro teve muitos fatores decisivos.

Neste filme podemos ver o mundo dos senitidos contemplando o mundo das ideias e entre eles o ser humano trancendental cindido pela cultura.

O filho , A arvore e o Livro

Nosso Devir                 






Nós, enquanto seres humanos ,
desejamos a transcendência.


Desejamos ultrapassar nossas limitações e ascender     através daquilo que somos capazes de fazer enquanto legado enquanto passageiros por este mundo.


                      Fico a pensar se de fato não ha ai 
uma revelação de algo que puramente somos capazes de atingir sempre através de um esforço a mais, o mesmo esforço que precisamos fazer para nascer e que nos traz a esse mundo,pois ja não ha mais espaço  no mundo  que abandonamos. 


                      Vejo a arvore assim como imagino que você vê, como metáfora de uma vida serena e util que sustenta a terra e propoe um ciclo de renovação.                                                                                        
                      Vejo o livro como o exercicio pleno da competencia que nos diferencia neste legado espécie  mundo.
                       Vejo um filho como o esforço de uma construção de perpetuação emocional , narcísica e biológica da espécie,  resposta a uma demanda instintiva e apesar de romanciarmos , ha um cóodigo genetico que também governa nossos atos. Não seriam esses três desejos um sinal de santíssima trindade da competência humana?

05/08/2010

Porque hem?

Brincar de faz de conta é uma bela forma de experimentar e entender realidade mais do que isso é uma bela forma de sentir o mundo .



Lady Aimee Gaga esta na fase mais filosófica da infância, onde as perguntas sobre o que são  as coisas e as palavras acompanham os " porquês " insistentes em busca de coerência  e é neste momento que nos vemos mestrando nossos limitados saberes.

Estive com esta pequena POP STAR por duas horas e nos divertimos muito, porém diante de tantas perguntas dela sai eu, cheia de dúvidas .

22/07/2010

Apagador

Tem dias que da uma vontade de usar o apagador em alguns quadros da vida . Andei vendo, uma palestra sobre filosofia clínica e um comentário do Lucio Packter ficou ecoando na minha mente. "Há pessoas que vivem uma vida inteira que não é delas, com repertório que não foi escrito por elas". As circunstâncias têm tamanho poder de movimentar nossa existência, que fico pensando, quando eu comecei a pegar o giz?

Turma da faculdade 1994



Lembrei-me da época da faculdade quando saiamos empolgadas das aulas de Metapsicologia, era muito fascinante de uma complexidade embriagante, então ficávamos brincando e fazendo piadas sobre as tópicas associando-as a bobagens (- Então com esta coisa de eficiência do recalcamento nos tornamos recalcados? - Quer dizer que inevitavelmente todos precisam destas demandas recalcadas para existir? T u se sabias recalcada , sua recalcada? - Sabia que o gostosão que senta no teu lado nas aulas de anatomia precisa de umas recalcamento imediato? - Teu cérebro foi tamponado antes que tu pudesses pensar e o máximo que tu pode fazer e enfiar o dedo no nariz! - Sofre! Sofre,para disfarçar que tu és normal.) riamos muito destas carcaturas, vivíamos nos analisando e nos deleitando em "atos falhos", poucas de nós conseguiam transcender a teoria e se divertir com ela, esta atitude nos garantia um entendimento mais amplo e notas máximas. Nessa época pegávamos o giz e fazíamos a elaboração com ele. Nas aulas de Filosofia eu era chamada de “A tradutora", às vezes o professor me chamava "Alba, por favor, me traduza!”. Engraçado que sempre eu conseguia.Era tão livre para errar,que fazia muitos acertos, a experiência foi garantido um belo "você pode". Eu podia mesmo, tinha permissão da irreverência.




Mas a motivação com a Metapsicologia não era maior do que o fascínio que tínhamos com as aulas de Psicofisiologia. Chegávamos a comentar baixinho e só para nós “um dia a psicologia vai submergir na fisiologia e a neurociência vai psicotizar nossos fundamentos".



Somos tão complexos que é difícil saber quando somos comandados por princípios primeiros e naturais e quando somos comandados por respostas emocionais mais elaboradas. Tantos sãos os fatores que nos inferem a vida que é aconselhável não sentarmos em certezas.



Quando cada uma de nós se apropriou do quadro verde da vida?



Somos influenciados por tantas coisas, primeiro pelas sensações e pela necessidade de ser suportados nos braços de quem nos provem a existência, depois passamos a ser reféns da cultura que nos ensina a conter nossos impulsos  em troca de não sermos vitimas dos impulsos primitivos dos outros. Dai com sorte, vamos nos qualificando e enchendo de recursos para negociar com nossas demandas nossos desejos mais genuínos, quanto mais negociadores e proativos mais próximos da coisa em si que não conseguimos nominar, mas que fica pulsando e propulsionando nossos movimentos ascendentes.Então o tempo vai nos alviando com a ética da existência possivel.


Lembro que pedíamos uma cerveja e ficávamos a viajar nas teorias, primeiro comentávamos sobre os professores, elogios que os levavam as nuvens e criticas que os soterravam em infernos  Dantescos. Depois brincávamos procurando pulgas metafóricas nas nossas orelhas, e riamos muito. Ainda posso lembrar a minha amiga dizendo “ai Alba eu só não rio mais porque fico com medo de me esquecer de te dizer que tu ta rindo muito alto" - hahahahha minha linda amiga, que saudade de rir todos os dias e bem alto.



Íamos eu e ela para a parada de Ônibus e ficávamos vendo nossas amigas mais ricas passando de carro, dávamos um sorriso amarelo nos abraçávamos: "como é bom ficar aqui nesta parada vendo estas nuvens e tentando identificar imagens, será que quando tivermos nossos carros vamos olhar pras nuvens?" -"Sim, Certamente, quando eles estiveram pagos vamos fabricar as bichinhas"



Não sei quando parei de ficar me analisando, não havia percebido isso, resolvi me deixar em paz faz um bom tempo, fico pensando se devia pegar no meu pé de novo, é que às vezes ele incha.



A verdade que estou com um apagador na mão e um Giz na outra.

08/07/2010

Goleiro Bruno e o Delirio Compartilhado

Algumas coisas entram na cabeça da gente sem pedir licença e temos que lidar com o ESPANTO, diante da estupidez humana. O Caso do Goleiro Bruno é um destes episódios que não tem pé nem cabeça. Algumas pessoas  perguntaram-me sobre o que eu pensava a respeito. Numa analise pratica e rapida posso verificar no minimo três Hipóteses claras.

1- Delírio de Prejuízo - Paranóia
2 - Delírio de prejuizo com seguidores Com delírio de Fidelidade- Simbiose
3-  Efeito Dominó
4- Burrice , idiotice e estupidez cronica e compartilhada.

No Primeiro caso o Delírio de Prejuízo, estaria ligado a uma fenda narcisica calcificada na estrutura da mente.
É o tipo bruto muito bem apelidado de "concretão" o concretão é o que não consegue ver alem , só visualiza o aqui e o agora e o efeito fisiológico o domina. É o cara que diz sempre -" eu sou assim e não vou mudar ", ou o que diz " comigo isso nunca vai acontecer " se você fizer uma critica metafórica do tipo "Você precisa se enxergar" ele vai correndo pro espelho. Este sujeito vive com a ideia de estar sendo extorquido de alguma forma , pois que estruturalmente é inacabado. A mente quer destruir, usufruir, cuspir mas ele desloca este arsenal mental delegando ao outro uma perseguição interna não ditada por sua autoria a fantasia é de que é o outro quem o perseguidor: "Ela quer me Ferrar" "Ela quer me usar" " Ela me persegue" " Ela armou pra mim" -o EU narcisico não tem responsabilidade de nada, tudo esta no outro, dentro desta concepção neurótica o  EU convicto só pensa em se defender, se defende atacando e atacando ta satisfazendo o principio gerador a paranoia, que conseguiu seu feito por distorção eficiente.
 Aconteceu! transou!engravidou! matou!tripudiou! Sentenciou sua própria vida para se libertar da paranoia o outro neste caso não passa de um objeto que deve ser quebrado .

No segundo caso o delírio é compartilhado tem seguidores devotados, funcionam como mentes fusionadas , o prejuízo de um é  igual o prejuízo do outro, o  "Não eu"  não existe.Todos os envolvidos sentem-se como se estivessem sofrendo a mesma perseguição , todos se sentem narcisicamente como sendo o Bruno e assim acabam assumindo partes da personalidade deste que o mesmo não assume, nestas  executam geralmente as tarefas mais baixas.

No terceiro Caso, está ligado lei da causa e efeito, uma ação que leva a uma reação que leva a uma consequência. Discutiu - bateu- Imagina a repercurção o efeito social - acha mais fácil eliminar o Problema- (aqui o Concretão também entra).

O ultimo caso esta presente em todos os outros,trata-se da junção de um grupo de mentes limítrofes que tem uma super concentração de imbecilidade, e nisso se vê apoiada a tomar o Lugar de donos da vida.


Algumas pessoas acreditam que  um cara destes , só faria algo assim por ignorância,  ganham muito dinheiro como atletas porem não tem cabeça para lidar com os problemas que o dinheiro traz, um deles seria o assedio.

Besteira !! está cheio de gente simples , sem estudo  até mesmo de atletas que são milionários e broncos que não saem por ai matando, ao contrário a maioria deles vai assumindo os filhos de suas imprudências. Então ignorância, falta de estudo, ingenuidade esta fora de questão , se assim fosse o mundo já teria acabado.

A Ruptura com os sensores que delimitam a possibilidade de existência, a falta de vinculação emocional é o que predomina, o narcisismo deformado a favela interior é que comete crimes assim tão bárbaros.

02/07/2010

Carlos Pergunta para Alba – na Comunidades Ateus em Curitiba


Você considera a possibilidade de estar errada como atéia? Deus existe, mas não é a concepção que as religiões pregam...


- Carlos querido, que bom que voltou pra comunidade. Vou tentar ser sucinta o que é quase impossível,pois o tema merece toda a abrangência que a  sua complexidade propõe.
- Minha resposta é Não, racionalmente nem por um instante considero que possa estar errada, até os dias de hoje Deus só existe como conceito e ato cognitivo, por isso têm tantos nomes, por isso tanta diversidade de preceitos, dai tantas divindades.

Somos mentais, essencialmente criativos e não dominamos completamente nossa mente, essa falta de controle deve contribuir profundamente no cunho emocional das concepções religiosas,neurológicamente e também narcisicamente tendemos a não suportar espaços vazios e a nossa própria fisiologia existe para vida , a certeza da morte agride ostensivamente esta fisiologia,mesmo que fisicamente sejamos decadentes desde que nascemos.

Imagino que o fato, de tantos Ateus diretores de cinema, artistas, cientistas e filósofos, esteja relacionado à capacidade criativa direcionada a produzir ilusões, esta competência profissional talvez forneça mais força, mais recurso, mais estrutura psíquica para consolidar esta escolha.  Veja que mesmo nesta comunidade, todos são dotados de uma inteligência cognitiva singular e isto funciona como uma vitamina contra crendices.
                                   

2) Como você entende e lida com a morte de alguém próximo (filha, mãe, pai, irmão, marido) ?

Como humana, não posso descartar a possibilidade de diante dum evento extremo, como os que você mencionou,de estar sujeita a alguns momentos de fragilidade incomum e eventual e assim ser acometida pela chamada “fé de desespero”.

Penso que para abrandar uma química psíquica que faz com que seja insuportável o sentimento de dor e por uma reação fisiológica a mente funcione independente e automata, aquém das constatações óbvias da racionalidade. No intuito de não permitir a desintegração psíquica, um mecanismo de escape  catalisa as ilusões e estas partem em busca de subsídios para encontrar amparo, o lugar mais comum estaria nas providencias culturais e religiosas plantadas em nossa memória em nossos primórdios, comuns até na criação de pensamentos delirantes, que serviria como um atenuante instintivo para a impotência diante de situações radicais ou que remetam o pensamento a um torpor ante situações de medo e angustia.

Vale uma analogia: pessoas que tiveram experiência no deserto diante da falta tão vital de água são acometidas por delírios. A mente começa a produzir ilusões de “oásis’ próximos, o que faria com que a pessoa continuasse a caminhar em busca de água, ou se apagar sem implosão, neste caso se trata de um funcionamento para provocar reações também de auto defesa pulsional. Também acredito que o mesmo principio que rege nossa fisiologia rege nossas produções mentais. A meu ver é exatamente neste mecanismo que a crença em um ser superior se acomoda ela tem um fundo fisiológico e se sustenta psicologicamente, porque nossa espécie, parece em sua maioria absoluta ,ser possuidora de uma insustentabilidade estrutural em seu psiquismo. Com isso ouso a conjecturar que não é natural seremos ateus.

Penso que assim como brincávamos de - “faz de conta”- gostamos de ver filmes para nos distrair, de torcer fervorosamente por um time de futebol, de criar fantasias sexuais para tornar o sexo mais intenso e menos mecânico ou simplesmente por diversão, temos um mecanismo parecido diante de demandas psíquicas por demais opressoras. Por ai, poderíamos argüir que a idéia de Deus seria uma distração para a dor bem como também pode ser um lugar de auto-erotismo para masturbar a mente que não quer trabalhar ou não tem recursos cognitivos para abrir mão deste escape.

Eu tive quase todas estas experiências que mencionou, e todas elas fortificaram meu ateísmo. Tenho uma tendência a ser desconfiada e de não aceitar sentenças hipotéticas. Confio mais na duvida do que na certeza. Aprendi que a duvida move mais do que a certeza, acredito que enquanto minha mente for saudável funcionarei assim, mas se existir um Deus ele deve ser Panteista.



14/05/2010

Sobre Unicórnios


                                                                 Existem ou não?


Argumento Resposta 1

nesta linha de pensamento podemos concluir que a afirmação é mais procedente que uma negação a menos que a negação seja uma afirmação esta não tem consistência sem provas porem a afirmação carrega consistência de existir como produto de quem a produz.

Argumento Resposta 2
Lembra-me Descartes que afirmou que Deus só existe como competência e produção do Intelecto, ai se contradiz dizendo esta competência provem de Deus.Porem Kant  ,  traz "o mundo como lhe parece" a existência das coisas em validade no pensamento  e na percepção das coisas análogas a outras ou em ligações constantes , retira a autoria da competência divina e a retorna a competência humana onde Deus seria resultado do pensamento aliado as cogitações que vão sendo aprimoradas a medida que são reconhecidas pelo outro.Esta é a redenção e a maldição do mito ele serve se ajusta e cresce, e quando se torna maior que os fastos está enraizado na cultura.

Argumento Resposta 3


Ao pensar mais algumas indagações parecem procedentes,sobre a origem dos mitos quem os constrói? quem os implica? ,onde eles se fundamentam? como eles se sustentam?São máscaras que servem bem a quem as coloca, este Servir muitas vezes advem de imposições e muitas outras pela falta de opção e mais ainda , hoje nas super produções onde se é capaz de criar uma guerra sem que ela exista e repercurti-la no mundo .Sim existem Minotauros ,eles são nossa imagem na parede da caverna.

Argumento Resposta 4

O ser humano possui muitas competências uma delas , considerada por muitos como um processo cerebral e automato, é a de preencher lacunas numa lógica linear, uma destas lacunas seria a própria incapacidade de lidar com aquilo que desconhece e separar seus fantasmas das coisas que captura e projeta ao mundo, nada melhor do que a criação metafórica de criaturas fantásticas a servir este propósito.Nelas é possível projetar-se tudo que é ideal e tudo que não é, assim experimentar em si e no meio o efeito deste preceitos paradigmas e limites, a partir deste no ensaio e observação muitas vezes automáticas vamos entendendo o mundo ou distorcendo o entendimento, ambas as possibilidades podem estar a serviço de uma força maior,algo como uma "atividade sinestésica" da espécie.

Argumento Resposta 5

Descartes, fala bem sobre esta questão e se ocupou de garantir que nós mesmos existiamos pela presuposto do Cógito. " penso, logo existo".Podemos pensar que um unicornio existe na validação do pensar, porem fora desta validação não ha existência mas apenas a idéia da coisa.

12/03/2010

HAMLET

                                                            HAMLET
Escrita Por William Shakespeare,                                             - Entre, 1600 a 1603    -

A medida que vamos mergulhando na obra, evidencia-se o criador na sua criatura, em muitos momentos ambos se debatendo pela supremacia da existência que extrapola a mediocridade humana e que propõe um olhar cético indagador. Este príncipe, atormentado pelo fantasma de um pai morto revelado ao interlocutor apenas como fantasma inescrupuloso  que perversamente  decide envolver o filho em  um ardil, de vingança moral. O dialogo sóbrio vai evidenciando os acontecimentos, nos induz a imaginar   o impacto decisivo de sua aparição na mente do Príncipe Hamlet .O que remete a primeira contradição imediata da obra: Um fantasma bizarro, que não desencarnou e se mantém preso a moralidade mortal uma vaide a-moral, que em sua sede, usa o filho como instrumento de vingança, colocando-o em risco de integridade física e emocional.
Um rei  Real ,que num olhar rapido mostra mais um pai simbólico, cuja existência se define por seus feitos de guerra e sua virilidade aguçada. Sua rainha Gertrudes, supostamente adultera, o Édem em forma de mulher, que lhe acende tal qual o fez com seu irmão traidor. Sobra-nos a visão de Hamlet refém desta guerra de egos  deformados e desditosos. Hamlet rapidamente constata na celebre frase - “ha algo de podre no reino da Dinamarca”, este algo  o impele a vingança, abalado  diante do enunciado fantasmagórico do possível assassinato , passa a morrer em cada movimento da peça.Deprimido, escandalizado com a nova situação materna que com menos de três meses de viuvez já corre pelo palácio numa alegria incontida atrás de Claudio seu novo esposo e irmão mais novo do rei morto. O jovem Príncipe  cuja inteligência e agudeza de raciocínio são evidentes em cada intervenção, não se entrega facilmente aos augúrios do fantasma, o questiona internamente e propõem um caminho para busca da verdade. O caminho se faz numa representação teatral onde os atores são dirigidos nada mais nada menos do que pelo príncipe da Dinamarca. Este é sem duvida um momento de êxtase onde Shakespeare nos da uma “MOSTRA de si mesmo” através do seu protagonista e torna Hamlet o escritor de seu próprio espetáculo, faz bem mais, o torna diretor, produtor e expectador fazendo da reação do publico a sentença definitiva, e, do teatro como um caminho a se encontrar a verdade. Não é de fato isso que devemos propor no palco? Não é exatamente uma “verdade” que se encontra de nós mesmos quando uma peça de teatro é feita para os espectadores? É bem isso que o nosso jovem príncipe, que talvez não seja tão jovem já que há contradições claras entre a idade do príncipe e as habilidades adquiridas no  seu tempo de vida. Poderíamos aferir que Hamlet, do inicio da peça é um vibrante rapaz, no centro da trama encontramos um adulto atormentado com as varias faces do poder do amor e da família, mas na evolução de seu olhar quase que delirante diante de uma verdade insuportável e com propósitos claros e irreversíveis Hamlet chega ao final da peça, como um sábio ancião que tudo percebe e que tudo spera. À medida que a saga de Hamlet se desenrola, conhecemos sua amada Ofélia, que é literalmente desconstruída por seu amado ao se deixar conduzir pela lei e o olhar do pai, cuja morte é protagonizada pelo primeiro engano do príncipe que o confunde com o rei, pois escondido o sorrateiro esta a escutar as conversas entre mãe e filho. A frieza com que Hamlet lida com este engodo trágico  torna-se a gota d’água para levar Ofélia já perdida entre o sim e o não do príncipe, a loucura e ao suicídio.
Hamlet sofre a deportação a traição de seus amigos, genialmente reverte o destino que lhe foi traçado por Claudio.  retorna depois de um longo tempo, então se depara como coveiro, personagem, a altura da genialidade do príncipe, que o acompanha para o principio da finitude e da realidade. O coveiro trás para Hamlet a possibilidade de se rever diante da caveira do querido York o bobo da corte que parece ter representado de fato a figura paterna afetiva ao o príncipe em sua infância. Após esta passagem de retorno e de ceticismo entre Hamlet e o coveiro, é que surge o príncipe tal qual se apresenta diante de Laertes, o irmão de Ofélia ofendido e instigado a vingança, contra Hamlet, “aqui estou eu, sou Hamlet o dinamarquês”.
Ao se jogar na cova e propor que o enterrem junto com Ofélia, Hamlet nos da à dica de que a vida já não lhe importa mais e que seus tesouros começavam a ser enterrados, o que nos facilita entender porque Hamlet príncipe da Dinamarca, aceita a cilada montada por Claudio, sem relutar, pois de fato não parece surpreso com a traição o veneno em seu cálice, e na espada que o fere envenenada.
Sua mãe morre em seu lugar, ao beber o vinho do filho Gertrudes toma o ultimo gole de irrealidade e nele reencontra o amor de seu filho. O final espetacular, grandiosamente montado para nos remeter infinitamente a reconstrução desta historia onde Hamlet "abre" através da fala, os portões da Dinamarca devolvendo ao filho do homem que seu pai o grande rei Hamlet havia matado, a possibilidade de resgatar o reino perdido. Se finda a contradição, e neste gesto Hamlet morre ,imortalizando o nosso olhar. A que se pensar que Hamlet morre discordando das conquistas do pai e nos fazendo pensar para sempre, nos paradoxos afetivos entre as famílias universais além disso Hamlet caminha para as ultimas conseqüências de uma existência mortal.
Auotora: Alba Regina Bonotto

02/03/2010

RENACIMENTO DO EU QUE EXISTE AI.

Particularmente não só acredito no que disse como tenho a mais precisa impressão desse abuso do catolicismo sobre a natureza humana e o reconheço dinâmico ainda nos dias atuais. O exemplo clássico: - 1-Um padre para o "ser" tem que "ser" assexuado e renegar sua natureza e lutar contra ela a vida toda até que morra ou pecar e se arrepender infinitamente - 2 O massacre pela interpretação satânica de inocentes na inquisição - 3 A proibição do acesso ao conhecimento não institucionalizado. - 4 O confisco e destruição e ou reedição modificadas de livros dos grandes pensadores - 5 O assassinato de todos que ousavam se rebelar - Estas imposições ao que o homem é capaz de descobrir, modificar e desejar, perfeitamente resulta em perversidades de toda natureza, desde maltratos com sigo no autoflagelo, até comportamentos de afetividade distorcida como pedofilia, esquizofrenia etc


Ao nos deparamos com acontecimentos históricos do fim da idade média, tais como a queda do Império Romano a descoberta das Américas, ascensão da burguesia , percebemos a  que direção a humanidade caminha.   Tais acontecimentos marcam o fim de uma era pautada na contemplação do Divino, de submissão e degeneração da personalidade humana. Em prol as leis doutrinárias,  o mundo dos homens é praticados por homens e não há como escapar por mais que se invente dogmas e teorias o verdadeiro Deus é o homem que cria, essa é verdadeira trindade, "o homem é quem faz, homem é quem muda e o homem é quem submete". A Grécia Antiga nos mostra um movimento que não se bastou em si,  no que se refere às respostas praticas e muito menos ao que se refere a respostas míticas. Porem foi um mundo de grandes pensadores, grandes filósofos grandes observações do homem na Natureza e da Natureza no homem. Por não se bastar e ter por conseqüência da liberdade de proliferar valores, crenças e atos diversos entre si, este mundo foi ruindo, não resolvia uma questão básica: a perenidade da existência, capacidade de defender-se dos eventos naturais e das guerras entre Cidades estados e da diluição dos valores ANTE a diversidade. Então vem a idade media, com uma instituição que se forma em nome de um ser superior e o usa para ser perene, porem também é ineficiente apesar de ser constante e progressiva. Este caminho, do catolicismo medieval "estuprando" o ser (o obrigando a se comportar de maneira diversa a sua natureza, renegando sua força suas capacidades de movimento, de criar, inventar, desvendar e desejar) pela obrigação a crença institucionalizada. Não teria durado tanto tempo sem a imposição da força. Neste dois pólos a paradoxalidade  da liberdade ineficiente versos o aprisionamento emocional institucionalizado. A que se observar, a natureza humana se move, mesmo que atolada em leis adversas a ela e entre traves . Em todos os cantos e tempos, temos seres humanos e estes evoluem
se direcionam para o futuro, seja para construir o conhecimento, seja para o ciclo da própria vida . A historia da filosofia nos mostra que nos sabemos capazes de crer em um ou em muitos Deusese , porem vivemos existindo e buscando a evolução deste existir através do bem pensar que vai abrindo portas no dia pratico das pessoas, com ajuda sempre muito eficaz do poder financeiro, que instiga o surgimento de novas classes capazes de ter autonomia para buscar novas soluções. Assim chegamos ao Renascimento.




. Não tenho duvida que a idade media teve um valor histórico de organizar e sistematizar comportamentos, criar um código geral em comunidade com grandes nomes a se dedicar na construção do mundo melhor, conseguiu manter por muito tempo a união de suas ovelhas .Mas a apropriação do saber para domesticar o homem, a apropriação de uma condição divina, não lhe parece imoral? Não serei eu uma reles estudante de filosofia que ira categorizar as coisas, , afinal temos inúmeros pensadores que debatem ainda com mais força, e claro com bons argumentos. “Veja Manoel Kant que desconstruiu o argumento Ontológico que define Deus como um personagem formulado cognitivamente, não-empírico”. Já Friedrich Nietzsche parte de outros princípios, de revolta literalmente, denuncia o Apostolo Paulo de Tarso em sua apropriação da idéia de Deus e a deturpação das sagradas escrituras, conforme interesses. Nietszche usa a famosa frase "o evangelho morreu na cruz" por que na visão do filosofo o evangelho se tornou não o que Deus queria, mas os que os homens dominantes de seu tempo queriam, chega a inferir que ideologicamente Jesus foi o único católico de verdade. Tenho minha convicção sobre estes assuntos, em bases psicológicas levando consideração os Princípios de Prazer, a teoria da libido os mecanismos inconscientes, a parte fisiológica do ego, a vida pulsional de nossa mente e de nosso corpo, reveladas por Freud na sua magnífica obra, também por discernimento lógico, afinal também necessito crer e mais ainda por base filosófica como mostrei acima. Psicologicamente sabemos da necessidade humana de acreditar e de dar fé aos criadores de ilusão e mitos, em busca de um conforto emocional que a estabilize e as direcionem.
O que não aceito é que se perverta coisa tão genuína essa necessidade em prol a manutenção de um sistema que já despencou, podemos ate supor que a mola propulsora dessa queda é força humana de ressurgir, pois -Ressurge Burguesa - Ressurge encontrando novas terras - Ressurge criando novas igrejas  - Ressurge Curiosa e ávida por respostas por avanços no que pode validar e preservar a espécie. No início dos tempos a instituição católica deu conta destas necessidades, mas se perverteu na administração das ilusões e na petulância, porque na verdade não podia matar todos seus seguidores nem todas as pessoas que começavam a enxergar suas falias, afinal seres humanos são o que são e existem aquém de suas religiões.
Todos estes pontos convergem para o Renascimento.

Quanto a discutir A frenagem que supostamente a igreja realizou na brutalidade da época, não posso concordar - Quem pode dizer que não teríamos evoluído muito mais, quem pode dizer que nesse tempo não teríamos nos tornados nós mesmos infinitamente melhores do que somos? E quanto os milhões de mortes?
Seria esta uma hipótese valida , ao meu ver no sentido de tentar descobrir por que o ser humano é seu próprio algoz.